


Quando o contexto muda,
vira violência.
Na internet, o ódio contra as mulheres também se organiza e aprende a se comunicar por códigos. Emojis, memes e símbolos aparentemente inofensivos são apropriados por comunidades misóginas para espalhar desprezo, atacar mulheres e reforçar narrativas de dominação masculina.
O resultado é um mundo mais inseguro para mulheres. Dentro e fora das telas.

4 mulheres
são mortas por dia
no Brasil.
718 feminicídios em
apenas 6 meses.
Fonte: Procuradoria Especial
da Mulher (2025)

Uma a cada dez
meninas e jovens
mulheres
sofrem violência e assédio on-line todos os dias.

Menos de 40% dos países têm leis específicas
que protegem as mulheres do assédio ou perseguição cibernética.
Conheça os significados de alguns 🐻 emojis 💊 usados por misóginos na internet.
🐻
urso
Usado para exaltar o estereótipo do “macho dominante” ou ridicularizar mulheres, reforçando hierarquias de poder.
🗿
cara de pedra
Representa frieza emocional e desprezo, muitas vezes usado para desumanizar mulheres ou minimizar denúncias.
🧹
vassoura
Associado à ideia de que o “lugar da mulher” é o trabalho doméstico, reforçando papéis de gênero ultrapassados.
🫘
feijão
Um dos símbolos mais usados em 2025. Faz referência ao termo depreciativo “Women Coffee”, criado a partir de memes para ridicularizar comportamentos femininos. É usado para a identificação entre incels¹.
💊
Pílula (Red Pill)
Simboliza o suposto “despertar” para a crença de que homens seriam vítimas de um sistema feminista. Muito comum na chamada manosfera².
🍷
Taça de vinho
Frequentemente usada de forma irônica para debochar de mulheres, sugerindo fragilidade ou exagero emocional.
💯
cem
Além do uso comum, representa a “regra 80/20”: a crença de que 80% das mulheres só se interessam pelos 20% de homens considerados “topo da pirâmide”.
¹ Incel é o termo usado para descrever homens que se identificam como “celibatários involuntários” e que atribuem sua falta de relações afetivas ou sexuais às mulheres, frequentemente expressando ressentimento, misoginia e hostilidade.
² A manosfera é uma subcultura online composta por comunidades formadas apenas por homens, voltadas a temas como masculinidade, desenvolvimento pessoal e relacionamentos. Muitas dessas comunidades promovem críticas ao feminismo e podem reproduzir discursos misóginos ou alinhados à extrema-direita.
Os significados apresentados foram identificados a partir de conteúdos públicos (pesquisas, estudos acadêmicos, reportagens jornalísticas) e da análise de usos recorrentes dos emojis em determinados contextos online, incluindo comunidades misóginas. É importante destacar que emojis são símbolos dinâmicos e podem ter interpretações diferentes fora desses ambientes. As descrições aqui reunidas refletem os sentidos mais consistentes nos contextos analisados e têm caráter informativo e educativo.
Fui vítima de
misoginia digital.
O que fazer?
Os principais canais de
denúncia são:
☎️ Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher)
💻 Delegacias da Mulher e delegacias de crimes cibernéticos
🚫 Ferramentas de bloqueio e denúncia nas plataformas

Guarde provas
faça prints de comentários, mensagens e perfis. Isso ajuda em denúncias.

Bloqueie e denuncie
nas próprias plataformas sempre que possível.

Procure apoio
converse com alguém de confiança ou com coletivos femininos.

Cuide da sua saúde mental
sair temporariamente das redes também é proteção.
Conheça a legislação brasileira
Lei nº 14.192/2021
(Violência Política)
Tipifica a violência política de gênero, inclusive em ambientes digitais, protegendo a participação de mulheres na política.
Lei nº 14.188/2021 (Violência Psicológica e Stalking)
Criminaliza perseguição virtual (stalking) e violência psicológica. Em 2025, a pena foi ampliada para casos com uso de inteligência artificial e deepfake contra mulheres.
Lei Maria da Penha
(Lei nº 11.340/2006):
Embora anterior à internet, está sendo ampliada por projetos de lei para incluir a violência virtual, reforçando a proteção da mulher também no ambiente digital.

Educação também é proteção.
Pensando em como os emojis estão presentes na comunicação do público jovem e adolescente, a Bistrô apresenta A carta enigmática. Uma história pensada para conversar com jovens sobre:
-
comunicação digital
-
sentimentos e escolhas
-
misoginia e violência de gênero
📩 Uma carta feita só de emojis.
Lorena recebe uma mensagem misteriosa e acredita que alguém de sua turma quer se aproximar. Ao tentar decifrá-la, ela descobre que nem tudo é o que parece — e que pedir ajuda faz toda a diferença.
👧🏽👦🏽 Público: jovens de 12 a 16 anos
🏫 Uso: apoio a orientadores pedagógicos
🎯 Objetivo: estimular diálogo, reflexão e escuta segura

"Nem todo ataque vem em forma de ameaça física. Às vezes, vem em forma de piada, meme, emoji. Por isso, educação também é proteção: ela ensina a reconhecer sinais, a pedir ajuda, a não naturalizar a violência. Quando a Bistrô coloca sua criação a serviço desse debate, ela afirma um compromisso: usar comunicação para ampliar consciência, promover segurança e defender o direito das mulheres de existir, dentro e fora das telas".
Fernanda Aldabe
CEO e VP Institucional e de ESG da Bistrô


